“Podias ter-me dito que ias sair da minha vida. A paixão é mesmo isto, nunca sabemos quando acaba ou se transforma em amor, e eu sabia que a tua paixão não iria resistir à erosão do tempo, ao frio dos dias, ao vazio da cama, ao silêncio da distância. Há um tempo para acreditar, um tempo para viver e um tempo para desistir, e nós tivemos muita sorte porque vivemos todos esses tempos no modo certo. Podias ter-me dito que querias conjugar o verbo desistir. Demorei muito tempo a aceitar que, às vezes, desistir é o mesmo que vencer, sem travar batalhas. Antigamente pensava que não, que quem desiste perde sempre, que a subtracção é a arma mais cobarde dos amantes, e o silêncio a forma mais injusta de deixar fenecer os sonhos. Mas a vida ensinou-me o contrário. Hoje sei que desistir é apenas um caminho possível, às vezes o único que os homens conhecem. Contigo aprendi que o amor é uma força misteriosa e divina. Sei que também aprendeste muito comigo, mais do que imaginas e do que agora consegues alcançar. Só o tempo te vai dar tudo o que de mim guardaste, esse tempo que é uma caixa que se abre ao contrário: de um lado estás tu, e do outro estou eu, a ver-te sem te poder tocar, a abraçar-te todas as noites antes de adormeceres e a cada manhã ao acordares. Não sei quando te voltarei a ver ou a ter notícias tuas, mas sabes uma coisa? Já não me importo, porque guardei-te no meu coração antes de partires. Numa noite perfeita entre tantas outras, liguei o meu coração ao teu com um fio invisível e troquei uma parte da tua alma com a minha, enquanto dormias.”
Margarida Rebelo Pinto
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
domingo, 26 de setembro de 2010
Foi da noite para o dia.
Foi da noite para o dia.
Tiveste-me nos teus braços mais uma vez, foste terno do teu toque e nos beijos que deixas-te pelo meu corpo enquanto o amas-te, enquanto me fazias desprender de qualquer pensamento e me davas prazer como em todas as noites. Nada me faria crer que de facto, era aquela noite a última. Até chegar aquele quarto, mais uma noite, preocupava-me com a minha insensatez de ir contra à minha afirmação "Não, não vou voltar a dormir com ele." E ali estava eu, a fazer o check in com o mesmo rapaz do mesmo hotel. Talvez fosse sem crer, mas queria saber até onde iria esta loucura de me levar a viver uma vida que não era a minha, e certamente não seria a tua. Conheço-me bem, sabia que dali a pouco estaria a guardar-te numa caixa de boas recordações e passei a dar-te pouca importância. Podia ser fácil, já que não te amava. Nunca entendi os batimentos do meu coração quando chegava a hora de te ver. Mas sabia, que não podia ser amor. Apaixonei-me, mas não te amei. Por isso, podia ter sido mais fácil, podia ter durado menos tempo, podia até nem nunca ter acontecido. Mas aconteceu. Vivemos o nosso tempo, e ultrapassei-te. O tempo tudo mostra, coordenado com os acontecimentos certos que te fazem ver o que vale ou não a pena. Deixou de valer, quando me apercebi que a minha vida valia muito mais. E mesmo que "só" me tivesse apaixonado, ali estava eu a entregar-te em mãos o meu coração. Fui tola por pensar que o carregavas, mas esquecias-te sempre. Só quando te apoderavas do meu corpo é que lhe falavas baixinho as saudades que tinhas sentido, o bem que eu te fazia...
"Eu sou a fuga da tua realidade, mas tu és a minha realidade."
Não respondeste. E o teu silêncio foi a resposta que precisei para poder querer mudar de vida, da noite para o dia.
<3
terça-feira, 21 de setembro de 2010
Ela saiu de casa depois da meia noite, tremia por desejar tanto voltar a ve-lo. E ela caminhou até ele, foi a primeira pessoa que viu sentada na mesa do café. Pediu um café, mais tarde um beirão. Quando já era tarde que chegue para fechar, caminharam juntos pela marginal. Ela fez-lhe todas as perguntas que não queria mas precisava de saber. Perguntou sobre os assuntos que tinham sempre ignorado nas suas conversas e a fragilidade que sentia em ouvir as respostas.Fizeram amor mais que uma vez. Acaraciaram os corpos nus e fáceis que despertavam ao toque da pele um do outro. Confessaram até onde a paixão lhes poderia dar lugar na vida um do outro, dormiram em camas individuais separadas e na manhã seguinte ela chegou com o cheiro do último abraço a casa.quinta-feira, 16 de setembro de 2010
domingo, 12 de setembro de 2010
Vou fazer um quadro dos desejos. Vou escrever algo visivelmente diário para os meus olhos tudo o que preciso de realizar para poder focar-me neste futuro, o meu futuro. Não o vejo, não me preocupo. Tenho de planear, mas nunca fico chateada se me envolver no improviso... o que acontece com grande frequência! Não é focar-me nessa dimensão. É na sensatez de poder criar linhas que definal a minha ambição e um frequênte sonhar que me é necessário. É na beleza de conseguir saborear o presente sem me preocupar, porque estou a caminhar num chão seguro, desenvolvido pela minha força, pelo meu caminhar. Talvez faça primeiro o melhor caminhar, para poder melhorar o caminho. E isso facilitaria qualquer gosto de viver, com a verdade de nos acharmos limitados. Não somos. E todos os dias acordo a saber que não sou, porque sobrevivi.
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
Um passo em frente, dois atrás.
Não fiz este blog a pensar em ti.
Fiz este blog a pensar em mim, e nas mil e uma coisas que quero e preciso exteriorizar em palavras vulgares.
Mas todas as noites que me preparo para me poder inspirar em algo útil, só me lembro de ti.
Só me lembro de ti quando acordo, e enquanto passam as horas no meu dia. Esforço-me para distrair, e só tu entras e te instalas na minha mente. Por isso nunca tenho nada a dizer, não tenho mais a dizer, e por isso nada digo.
Fiz este blog a pensar em mim, e nas mil e uma coisas que quero e preciso exteriorizar em palavras vulgares.
Mas todas as noites que me preparo para me poder inspirar em algo útil, só me lembro de ti.
Só me lembro de ti quando acordo, e enquanto passam as horas no meu dia. Esforço-me para distrair, e só tu entras e te instalas na minha mente. Por isso nunca tenho nada a dizer, não tenho mais a dizer, e por isso nada digo.
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